Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
QUERO APROVEITAR 🤙Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!
Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
Este microbook é uma resenha crítica da obra:
Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.
ISBN:
Editora: 12min
Conta a lenda que os troianos tinham uma tarefa só: não deixar o cavalo entrar. Os gregos fingiram desistir do cerco de dez anos, abandonaram na praia um cavalo de madeira do tamanho de um prédio e zarparam. Um sacerdote chamado Laocoonte avisou que aquilo cheirava a armadilha. Cassandra, que tinha o dom de prever o futuro e a maldição de nunca ser levada a sério, gritou exatamente a mesma coisa. Troia ouviu os dois, pensou por alguns segundos e fez o que qualquer um faria diante de um presente gigante e suspeito: arrastou para dentro dos próprios muros e abriu o champanhe. À noite, os soldados escondidos na barriga do cavalo desceram e abriram os portões. Fim da cidade.
É possivelmente a primeira grande aula de arrependimento documentada pelo Ocidente, e o roteiro mudou pouco em três mil anos. A gente toma uma decisão que parecia ótima, alguém avisa, a gente não escuta, e depois passa um tempo desproporcional da vida explicando que, na hora, fazia todo sentido.
O curioso é o que fizemos com esse desconforto. Em algum momento, decidimos coletivamente que arrependimento era sinal de fraqueza. "Sem arrependimentos" virou tatuagem, legenda de foto e filosofia de fim de noite. A ideia é vendida como sabedoria: quem não se arrepende de nada teria, supostamente, vivido com mais coragem. O problema é que isso é, segundo a melhor ciência disponível sobre o assunto, falso.
Não por acaso, o hino mais famoso dessa filosofia nasceu de uma das vidas mais marcadas por perda do século passado. Em 1960, Edith Piaf gravou "Non, je ne regrette rien", e o título que significa "não, eu não me arrependo de nada" virou catecismo gritado por uma geração de entusiastas. Piaf cantou aquilo com uma convicção que ninguém ousa duvidar. O que esse catecismo não conta é que anunciar em alto e bom som que não se arrepende de nada não é a mesma coisa que não ter do que se arrepender. É, na melhor das hipóteses, uma decisão corajosa sobre o que fazer com a dor, que por sinal é tudo o que este texto está tentando dizer.
Daniel Pink, autor de O Poder do Arrependimento, passou anos perseguindo essa emoção que ninguém quer assumir. Ele montou a maior pesquisa já feita sobre o tema, o World Regret Survey, e coletou mais de dezesseis mil arrependimentos de pessoas em cento e cinco países. A primeira conclusão é quase ofensiva de tão simples: praticamente todo mundo se arrepende de alguma coisa. As exceções costumam ser pessoas que não estão se lembrando bem ou que estão mentindo de forma convincente, inclusive para si mesmas.
A segunda conclusão é mais interessante. O arrependimento não é um bug do sistema. É uma das emoções mais comuns e mais úteis que temos. Ele aparece quando olhamos para o passado e imaginamos um desfecho melhor, e essa comparação, por mais desconfortável que seja, carrega informação. Pink descreve os arrependimentos como o "negativo fotográfico da vida boa": quando você descobre o que as pessoas mais lamentam, descobre, na mesma imagem invertida, o que elas mais valorizam.
A pesquisa organiza tudo isso em quatro arrependimentos centrais, que se repetem com uma consistência quase entediante de uma cultura para outra. Há os de base, sobre não ter cuidado do óbvio a tempo, do dinheiro à saúde. Há os de coragem, sobre a chance que não foi agarrada. Há os morais, sobre a vez em que escolhemos o caminho fácil em vez do certo. E há os de conexão, sobre os laços que deixamos esfriar até virarem silêncio. Quatro categorias. Dá para reler a própria vida com elas na mão, ainda que não seja a leitura mais relaxante de um domingo.
Aqui a ciência fica quase poética, o que é raro. Os pesquisadores Thomas Gilovich e Victoria Medvec notaram um padrão estranho na forma como o arrependimento envelhece. No curto prazo, lamentamos mais o que fizemos: a mensagem enviada às três da manhã, o investimento impulsivo, a frase que não dava para voltar atrás. Essa dor é quente, vem acompanhada de raiva, e tem a gentileza de passar. Já no longo prazo, o que pesa é o oposto. Décadas depois, quase ninguém perde o sono pelo que ousou demais. As pessoas perdem o sono pelo que não ousaram.
O estudo foi refeito em outros países e o padrão se manteve, o que sugere que isso não é mania de um povo específico, mas algo bem fundo na cabeça humana. A explicação é meio cruel: o erro que cometemos a gente conserta, justifica ou pelo menos entende. A ação que não tomamos fica em aberto para sempre, e a imaginação, que é uma roteirista otimista e sem compromisso com a verdade, vai enfeitando a estrada que não foi pegada até ela parecer perfeita. Ninguém lembra do emprego dos sonhos com os problemas que ele também teria. A vida não vivida nunca tem segunda-feira de manhã.
A história dos negócios é um museu inteiro dedicado a vendas precoces, e a curadoria é impiedosa. Em 1977, um sujeito chamado Roy Raymond fundou a Victoria's Secret. Em 1982, sufocado por dívidas e incapaz de fazer a empresa crescer do jeito que sonhava, ele a vendeu por cerca de um milhão de dólares. O comprador transformou aquilo numa marca de um bilhão de dólares em menos de uma década. Raymond tentou outros negócios, fracassou, e anos depois tirou a própria vida. A piada fácil seria "vendeu cedo demais". A história verdadeira é mais sombria, e serve de aviso sobre o que o arrependimento mal resolvido pode fazer com uma pessoa quando vira juiz em tempo integral.
Guarde esse aviso e compare com Ronald Wayne. Em 1976, ele foi o terceiro fundador da Apple e recebeu dez por cento da empresa. Doze dias depois, com medo das dívidas, vendeu sua parte por oitocentos dólares, e mais tarde aceitou mil e quinhentos dólares para abrir mão de qualquer direito futuro. Hoje, essa fatia poderia valer algo na casa das centenas de bilhões de dólares. É, em números frios, talvez o maior arrependimento financeiro individual já registrado. E Wayne, aos noventa e poucos anos, vivendo com folga modesta, repete a quem quiser ouvir que não se arrepende. "Meu sucesso nunca foi definido por dinheiro", ele diz. Numa entrevista, resumiu melhor: se tivesse ficado, teria virado, no máximo, o homem mais rico do cemitério.
O detalhe importante não é quem errou mais. Os dois tomaram a mesma decisão, vender cedo uma coisa que ficaria enorme. A diferença está inteira na história que cada um contou depois sobre essa decisão. O arrependimento, no fim, raramente é sobre o tamanho do que se perdeu. É sobre o tamanho que a gente dá a isso.
E é aqui que a ciência entrega o seu maior alívio, embaixo de toda a ironia. Se você se arrepende de algo, isso não é um defeito de fábrica seu. É a coisa mais humana e mais distribuída que existe, e funciona como um sinal, não como uma sentença. O arrependimento aponta, com uma precisão que poucas emoções têm, para aquilo que importa de verdade para você. Quem não liga para nada não se arrepende de nada, e isso não é liberdade, é só anestesia.
A dor existe e não vale fingir que não. Mas ela tem um trabalho a fazer. Bem usada, ela afia a próxima decisão, devolve sentido ao que ficou para trás e, de quebra, mostra onde você quer chegar. Mal usada, ela vira o tribunal interno de Roy Raymond. A diferença entre as duas não está no que aconteceu com você. Está no que você decide fazer com a informação.
Para quem decide rápido e cobra resultado: transforme o arrependimento em ferramenta de antes, não só de depois. Antes de uma escolha grande, faça o exercício que a própria pesquisa sugere, imagine como você se sentiria em dez anos tendo escolhido cada caminho. O arrependimento antecipado é um dos melhores dados de decisão que existem, e é de graça.
Para quem carrega o peso das escolhas: pegue o arrependimento que mais volta e escreva ele por extenso, como se contasse para outra pessoa. Pôr em palavras tira a coisa do terreno mítico da estrada perfeita e a devolve ao tamanho real. O objetivo não é consertar o passado, que segue inegociável. É parar de pagar juros por uma dívida que já foi quitada.
Para quem se cobra demais: trate o seu erro como trataria o de um amigo querido. A pesquisa mostra que olhar para o próprio passado com a distância e a gentileza que damos aos outros reduz o peso sem reduzir o aprendizado. Você não está atrasado e não está quebrado. Está, no máximo, na companhia de praticamente toda a humanidade que já tomou uma decisão.
Os troianos não tinham acesso a estudos sobre tomada de decisão, então vamos perdoá-los pelo cavalo. Nós temos. Sabemos que a emoção que passamos a vida tentando esconder é universal, é útil e está, neste momento, apontando para algo que você valoriza. O culto do "sem arrependimentos" prometia coragem e entregou só silêncio.
Ronald Wayne ficou com oitocentos dólares e a paz de espírito. Roy Raymond findou com seu próprio julgamento. A conta da decisão foi parecida. A conta do que cada um fez com o arrependimento foi tudo.
Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.
Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)
De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver
Média de avaliações na AppStore e no Google Play
Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura
Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.
Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.
Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.
O período de testes acaba aqui.
Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.
Inicie seu teste gratuito



Agora você pode! Inicie um teste grátis e tenha acesso ao conhecimento dos maiores best-sellers de não ficção.